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Ator Cadu Paschoal tenta Enem pela segunda vez por vaga em faculdade

20/10/2015 - 06:00h

No próximo fim de semana, o ator Cadu Paschoal, de 18 anos, vai enfrentar pela segunda vez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Seja inspirado pelos ex-colegas de escola pública ou pela história de superação do pai, o jovem tentará se manter calmo na busca de uma vaga na Faculdade de cinema ou de artes cênicas na Universidade Federal Fluminense (UFF), na PUC-RJ e na Unirio.

Cadu Paschoal ficou famoso ao interpretar o intocável (dalit) Hari, em "Caminho das Índias" (2009), e Paulino, em "Malhação - Casa Cheia" (2013). Agora concilia os estudos com os preparativos para a estreia da novela "Totalmente Demais".  "A rotina de estudar e trabalhar é um pouco puxada", comenta o estudante, que faz cursinho aos sábados.

Apesar de não ter atingido a nota que desejava no Enem 2014, Cadu não vê apenas o lado ruim da experiência e conta ter levado na memória o comentário de um Professor do cursinho.

“Ele falou para não desanimarmos. A prova não é a única forma de mostrar se alguém é bom ou ruim. E a universidade não é o único caminho da felicidade”, relata. “Não tem vaga para todos, o negócio é não focar só nisso como sinônimo de sucesso.”

Trajetória
Cadu estudou, a partir dos primeiros anos do ensino fundamental em escola pública. Na época, ele tinha colegas que vendiam balas no semáforo, que lidavam com gravidez precoce ou que viviam em situação de vulnerabilidade. Mas o ator faz questão de explicar que somente vê todas essas realidades como motivo de determinação extra. “Aluno de escola pública não é coitadinho”, afirma.

"(...) As pessoas que estudavam comigo não desistiam fácil das coisas. Todo mundo tinha os seus problemas, mas ninguém desistia e ninguém deixava afetar. (...) A gente também quer o nosso lugar ao sol. Então tem que correr atrás", afirma.

Cadu Paschoal diz que formação teatral via ajudar na carreira e nos desafios do Enem. (Foto: Alexandre Durão/G1)

Realidade da escola pública
Ele relembra que seus Professores eram excelentes e que davam bom suporte à classe. Conseguiam respeitar a individualidade dos alunos e os incentivavam. “Eram humanos, não agiam como se a gente fosse uma massa única e padronizada”, diz.

O problema, para Cadu, era o programa das disciplinas, que os professores precisavam respeitar. “Nada era focado no Enem. Mas nossos Mestres faziam o que podiam. A profissão de educador é fundamental, precisaríamos valorizar mais”, opina. “Com os salários baixos, precisam se dividir em vários Empregos.”

Formação familiar
A família de Cadu oferece suporte para que ele continue tentando uma vaga na faculdade. O irmão dele, Cauê Campos, de 13 anos, também é ator – então os pais dos meninos estão acostumados com a rotina agitada. “Eles nos compreendem. Não me sinto pressionado, sou muito incentivado”, diz Cadu.

No momento, ele e o pai, Alcir Campos, conversam bastante sobre provas e metas. Aos 46 anos, Alcir voltou a estudar e está na EJA (Educação para Jovens e Adultos). “Fico muito orgulhoso de vê-lo na sala de aula novamente. Muita gente desacredita no ensino para adultos. Mas escola não é para criar operário, é para formar um ser humano”, diz Cadu. Alceu interrompe a conversa para dizer, orgulhoso: teve uma excelente nota no exame de nivelamento da EJA.

Cadu Paschoal diz ter orgulho do pai que busca agora formação escolar para adultos. (Foto: Alexandre Durão/G1)


Estudos
No preparo para o Enem, Cadu dá atenção especial à matemática. “Número é um problema sério para mim. Não consigo decorar, preciso entender a fórmula”, diz. Ele usa um método que emprega no teatro: memoriza as falas de seus personagens quando compreende o contexto da cena, o porquê de estar falando determinada frase.

Sobre o exame do Ministério da Educação, o ator diz enxergar uma vantagem em relação aos vestibulares tradicionais. “É uma prova mais interpretativa, que exige mais atenção e malícia. E nem tanto as fórmulas”, afirma. “Sou mais das letras, não me dou bem com essa coisa de ser tudo exato. Mas vestibulares têm provas que cobram bastante isso.”

Cadu faz cursinho aos sábados, das 8h da manhã até 19h. “Só não fica tão puxado porque os professores são bem divertidos”, diz. A razão por ter feito a matrícula neste módulo semanal é a agenda lotada do ator durante a semana.

Cadu Paschoal quer cursar cinema ou artes cênicas. (Foto: Alexandre Durão/G1)
Cadu Paschoal quer cursar cinema ou artes cênicas. (Foto: Alexandre Durão/G1)


Trabalho
Ele já está gravando cenas de seu personagem Riscado, em Totalmente Demais. “É imprevisível saber que rumo a história vai tomar, porque está muito no começo ainda”, conta.
Cadu também está produzindo um curta-metragem, que explora a diversidade cultural do Rio de Janeiro na década de 1960 e de 1990. “O cenário é a região central, porque é um ambiente muito legal. Espero que o curta concorra em festivais nacionais e, quem sabe, internacionais também”, conta.

Além disso, o jovem escreveu a peça “Como é bom ser criança” e o texto foi aprovado pela Biblioteca Nacional. Atualmente, está em cartaz no Projeto Escola, com apresentações para crianças de colégios em Niterói, São Gonçalo e Rio de Janeiro.

O ator costuma dublar animações no cinema, como em Rio (2011) e Rio 2 (2014), e em Depois da terra (2013).

Tanto envolvimento com trabalhos artísticos começou quando sua avó o matriculou no curso de teatro, aos 6 anos. “Eu era indisciplinado, fazia natação e parei sem aprender a nadar”, lembra. Mas foi o professor de artes cênicas que despertou seu interesse pelas letras. “Ele me apresentou a Martins Pena, Machado de Assis, Jorge Amado. Isso me encantou”, diz.

Cadu Paschoal faz cursinhos aos sábados. No celular usa aplicativos, entre eles o G1 Enem. (Foto: Alexandre Durão/G1)
Cadu Paschoal faz cursinhos aos sábados e também treina com o G1 Enem. (Foto: Alexandre Durão/G1)

Fonte: G1



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