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'Cada ano é diferente', diz candidato que fará o Enem pela décima vez

06/10/2015 - 06:00h

Anderson Kono, de 25 anos, mora em Taboão da Serra e quer estudar medicina (Foto: Analice Diniz/ G1)
Anderson Kono, de 25 anos, mora em Taboão da Serra e quer estudar medicina (Foto: Analice Diniz/ G1)

Anderson Kono, de 25 anos, morador de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, completa neste ano sua décima participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em busca de uma vaga no curso de medicina. Além deles, outros 1.053.271 candidatos farão o Enem pela quinta vez ou mais. No total, o exame deste ano tem 7.746.057 inscritos.

A estreia de Kono no Enem foi em 2006, quando ele ainda estava no segundo ano do ensino médio, e fez a prova como treino. Nos anos seguintes, a ideia era acumular pontos no Vestibular com o exame. A partir de 2009, o Enem passou a ser ainda mais importante na vida de Kono, pois foi reformulado e se tornou o principal meio de acesso às Universidades públicas.

Ao longo desses anos, Kono conseguiu ser aprovado pelo Sisu, sistema que seleciona os candidatos para vagas em universidades públicas por meio da nota no Enem. No ano passado, passou em primeiro lugar no curso de engenharia de pesca da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mas não se matriculou. Neste ano, no processo do meio do ano, conseguiu bolsa de 50% pelo Prouni para estudar medicina na Uninove, mas decidiu continuar os estudos para conquistar uma vaga em uma instituição pública.

Apesar de estar há uma década fazendo o mesmo exame, o estudante garante que é sempre uma experiência nova. “Cada ano é diferente, o Enem muda desde que foi implantado. Tem ano que a carga de texto é maior, em outros é a cobrança do conteúdo. Tanto que para mim, o primeiro dia de prova é sempre mais nervoso, porque não sei como a prova vem.” Para ele, um dos maiores vilões do exame é o tempo. “A prova é muito longa e às vezes faz a gente errar pelo cansaço.”

Kono estudou na rede particular como bolsista e faz cursinho desde 2008. Neste ano, diz que está mais focado no Enem e experimenta um novo curso preparatório. As aulas no Etapa terminam por volta das 16h, mas ele fica lá até as 20h. “Como demoro para duas horas no trajeto entre o cursinho e minha casa, aproveito para ler. O ônibus se tornou meu local de leitura.”

Seu melhor desempenho foi no Enem do ano passado: média de 758 pontos, e 880 na redação. Desta vez, Kono acredita que vai se sair melhor. “Estou confiante, estou tirando boas notas nos simulados. Neste ano fiz uma estratégia diferente, comecei estudando mais devagar e a partir do meio do ano dei um gás. Nos anos anteriores fiz o contrário e me cansei muito.”

Decisão por medicina
Depois de tantas tentativas, Kono diz que já teve seus momentos de desânimo, mas quando pensa em desistir, lembra de sua motivação. Ele decidiu pelo curso depois que a avó faleceu em 2007.

“Ela estava internada e teve um ataque cardíaco assim que entrei no quatro. E eu não podia fazer nada, os médicos pediram para eu sair. Ela faleceu naquela hora.” Para Kono, a formação em medicina vai permitir que ele “faça algo pelas pessoas.”

O Enem muda desde que foi implantado. Tem ano que a carga de texto é maior, em outros é a cobrança do conteúdo. Tanto que para mim, o primeiro dia de prova é sempre mais nervoso"
Anderson Kono, 25 anos

Números
A edição de 2015 do exame tem 7.746.057 inscritos. O número é 11,2% menor que o da edição de 2014 e quebra uma sequência de recordes registrada desde 2008.

Entre os participantes, a maior parte (2.676.982) fará o exame pela primeira vez. Em seguida, o maior grupo é o de candidatos que terão sua segunda experiência (2.356.936). Os que farão o Enem pela terceira vez somam 1.527.208 pessoas. Na quarta tentativa está o menor grupo, de 863.698 candidatos, segundo o Inep.

O Enem substitui os vestibulares na maioria das universidades públicas brasileiras, mas também tem outras funções. É necessário para que o candidato dispute bolsas de estudo pelo Prouni ou solicite o Fies, financiamento para universidades particulares.

Os interessados em participar de demais programas, como Sisutec, que seleciona candidatos para vagas no ensino técnico, ou o Ciência sem Fronteiras, que oferece bolsas de estudo para intercâmbios no exterior, também precisam fazer o Enem.

Outra função do exame é fornecer a certificação do ensino médio. Quem tem no mínimo 18 anos, ainda não concluiu o ensino médio e tiver pontuação mínima é 450 pontos em cada uma das áreas de conhecimento e 500 pontos na redação, recebe a certificação. Neste ano, 867.968 candidatos farão as provas com este objetivo.

As aulas do cursinho terminam às 16h, mas Anderson estuda até as 20h (Foto: Analice Diniz/ G1)
As aulas do cursinho terminam às 16h, mas Anderson estuda até as 20h (Foto: Analice Diniz/ G1)

Fonte: G1



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