Leo Ar
Ser Universitario
 

Professores criam projeto voluntário que dá dicas para redação do Enem

15/10/2015 - 18:01h

Professores são amigos há mais de uma década (Foto: Mariana Mendes/Divulgação)
Fundadores do projeto "Sem Treta" são amigos há mais de uma década (Foto: Mariana Mendes/Divulgação)

Três Professores de Minas Gerais desenvolveram um projeto de ensino que oferece dicas para que candidatos ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que acontece nos dias 24 e 25 de outubro, em todo o país, consigam a nota máxima na redação - o Sem Treta.

A plataforma é conhecida. Eles divulgam pequenos vídeos no Youtube, mas o diferencial, além da linguagem simples, é o fato de serem jovens, conectados, falando para o mesmo público.

Vinicius Werneck, de 29 anos, é Professor e pesquisador da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e fez parte de seu doutorado na Universidade de Harvard, em Massachusetts. Voltou de lá com o objetivo ousado de impactar a educação brasileira. Para a tarefa, chamou dois amigos de longa data – os também professores Waldyr Imbroisi, de 25 anos e João Carlos Guedes, de 22.

“Nós três somos amigos há mais de uma década, o que é bastante tempo para a idade que temos. Eu estava profundamente interessado em colocar a mão na massa e ajudar a transformar meu país. Coincidentemente, o mesmo estava acontecendo com o João Carlos e com o Waldyr”, contou em Entrevista ao G1.

Os três têm especialidades distintas. Werneck é jornalista, Imbroisi é formado em Letras e dá aulas de redação em um cursinho preparatório para o Enem e Guedes é engenheiro e trabalha no Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (Critt) da UFJF.

Reprodução do canal (Foto: Reprodução/Youtube)
Canal "Sem Treta" já acumula mais de 13 mil
visualizações (Foto: Reprodução/Youtube)

Desde agosto, eles trabalham voluntariamente no projeto “Sem Treta”, que teve o primeiro vídeo veiculado no dia 11 de setembro e, desde então, alcançaram a marca de 13 mil visualizações, o que corresponde a mais de 450 horas de aulas assistidas. As redes sociais do projeto já alcançaram mais de 125 mil impressões de usuários de diversos estados do Brasil e de mais de 45 países.

Para garantir a aprovação em diversas Universidades federais do Brasil, o grupo acredita que os candidatos devem mudar a mentalidade e os professores precisam se adaptar às novas tecnologias.

“Há elementos que precisam ser compartilhados pela sala de aula tradicional e pela internet, pois são características que estudiosos têm apontado como prolíficas em um ambiente de educação. É preciso ter um ambiente que não pune - e sim incentiva - a crítica e que dá aos aprendizes uma sensação de controle do próprio processo de aprendizado. Em qualquer plataforma, o processo precisa ser colaborativo, com tratamento justo em relação ao trabalho criado”, afirmou o jornalista.

Para fazer isso, os jovens sabem que terão um desafio grande pela frente, mas apostam suas fichas na pluralidade de conhecimentos de cada um. “Inovar na educação não é fácil. Postar vídeos no Youtube não é sinônimo de inovar. A inovação não vem do uso de uma nova plataforma, mas da forma como o uso se dá. Nossa ideia foi utilizar o que cada um tem de conhecimento e formação e lançar um projeto para repensar os meios, as tecnologias e as metodologias de educação para a juventude brasileira”, disse.

Reprodução do canal (Foto: Reprodução/Youtube)
Todo o trabalho para criar os vídeos é voluntário, inclusive a apresentação (Foto: Reprodução/Youtube)

O projeto, que está apenas começando, quer usar a responsabilidade social e a internet para vencer as dificuldades, mesmo que isso não dê lucro nenhum. “Somos jovens interessados em utilizar a tecnologia e a criatividade para trazer inovações para a educação. Vamos dar oportunidades para a juventude, independente de limitações geográficas ou físicas. Por conta disso, por exemplo, nossos vídeos contam com closed caption, para que os deficientes auditivos possam ter acesso ao mesmo conteúdo. Financeiramente, não vale a pena, mas é um compromisso nosso que não passa pelo cálculo financeiro. Quando você vai para os geradores de conteúdo para Enem tradicionais, ou você ouve bem ou não aprende, pois não há esse compromisso.”.

Por enquanto, o projeto não é financeiramente viável e os idealizadores ainda dependem de seus Empregos tradicionais para sobreviver, mas o futuro é promissor. “Para nós, ser um negócio rentável será apenas consequência natural de ajudar a transformar o país. É a ordem inversa da maioria dos empreendimentos, que focam no lucro ou no retorno financeiro a cada decisão”, destacou.

“Pensar sobre o próprio pensamento”
Sobre o comprometimento de professores com a educação, Werneck citou os principais desafios para o futuro e não poupou o sistema de avaliação atual. “O sistema (de avaliação) deve servir para azeitar o sistema de aprendizado, e não para julgar aprendizes a partir de parâmetros abstratos e arbitrários”, afirmou.

O professor precisa ser alguém, tanto na sala de aula, quanto na internet, que consegue pensar sobre o próprio pensamento, destrinchando-o e entendendo como o aprendizado se constrói, e tudo isso pode e deve ser prazeroso para todos"
Vinicius Werneck, criador do projeto 

Para ele, o professores também precisam se renovar. “O professor precisa ser alguém, tanto na sala de aula, quanto na internet, que consegue pensar sobre o próprio pensamento, destrinchando-o e entendendo como o aprendizado se constrói, e tudo isso pode e deve ser prazeroso para todos”, defendeu.

Mesmo com menos de dois meses de fundação e nenhuma remuneração efetiva, a visão do projeto para os próximos meses e anos não é nada humilde. “Temos diversos planos para colocar em prática em curto, médio e longo prazos, com experimentos no âmbito da educação para a juventude, que é cada vez mais conectada. Um dos novos projetos é o uso de vídeos de gameplaying para aprendizado lúdico de temas como política municipal e mobilidade urbana”, adiantou.

Todo o conteúdo do “Sem Treta” é gratuito e os interessados podem acessar pelo canal no Youtube, página no Facebook ou perfil no Twitter.


Fonte: G1



Mais notícias
Veja todas as noticias