Leo Ar
Ser Universitario
 

Cresce uso do Enem para entrar em Universidades de Portugal

24/10/2015 - 18:00h

Famoso por seu alcance em todo o País, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ganha cada vez mais força do outro lado do oceano. Já são pelo menos oito Universidades portuguesas que aceitam a nota da prova como critério de seleção. Desde o ano passado, ao menos 400 alunos brasileiros usaram o Enem para ingressar em cursos superiores de Portugal.

A tradicional Universidade de Coimbra, fundada no século 13, é pioneira nesse processo. No primeiro ano em que usou o Enem, 100 brasileiros entraram com a nota da prova. No ano letivo seguinte, ainda em curso, o total praticamente dobrou: 192 ingressos por meio do exame. 

Assim como em várias universidades públicas do Brasil, as notas em cada prova do Enem (Redação, Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas) têm pesos diferentes no processo seletivo, de acordo com o curso pretendido. Assim, ele fica dispensado dos testes portugueses para o ingresso. Segundo o vice-reitor de Coimbra, Joaquim Ramos de Carvalho, o sistema funcionou. 

“O Enem é bastante transparente e fiável, porque existe imensa informação estatística sobre ele”, destaca. “Há acertos a fazer, que têm a ver com as inevitáveis diferenças entre os sistemas educacionais brasileiro e
português. Para isso, criamos formações complementares em alguns cursos”, explica

.Jéssica Neves usou a nota do Enem para entrar na Universidade de Coimbra

Jéssica Neves usou a nota do Enem para entrar na Universidade de Coimbra

Os 292 brasileiros que entraram pelo Enem estão em 30 cursos – a maioria (54) se concentra em Direito. A universidade é paga e, para manter a atratividade em tempos de real desvalorizado frente ao euro, a saída é oferecer estágios e monitorias. Bolsas são para alunos portugueses, mas deve ser criada a oferta de bolsas para estrangeiros, com base no desempenho. 

Jessica Neves, do 2.º ano de Jornalismo, aprova a experiência. “Além do conhecimento acadêmico, há uma bagagem social e cultural importante”, elogia ela, de 26 anos, que abandonou uma Faculdade particular de Goiás. “Pela tradição de Coimbra, temos contato com muitas palestras internacionais, que são mais difíceis no Brasil.”

Outras. Universidades pequenas ou menos conhecidas do que Coimbra também têm atraído brasileiros. O Instituto Politécnico de Leiria, criado em 1980, por exemplo, aceita o Enem como critério de acesso desde abril e dez calouros já ingressaram com a nota do exame. 

O baiano Victor Costa, de 21 anos, usou a média do Enem feito em 2011 para realizar o sonho de estudar no exterior. “Se tiver oportunidade, também pretendo trabalhar fora do País depois de terminar o curso”, conta ele, aluno de Marketing em Leiria.

Nuno Mangas, presidente do Politécnico de Leiria, diz que a procura dos brasileiros é crescente. Além do idioma compartilhado e laços históricos, muitos estudantes têm interesse de aproveitar as oportunidades de viver na União Europeia. As universidades portuguesas são autônomas para adotar o Enem como método de seleção. Algumas, como Coimbra e Leiria, firmaram acordos com o Ministério da Educação brasileiro.


Fonte: Estadão



Mais notícias
Veja todas as noticias