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Ser Universitario
 

Cuidado com a deportação

22/01/2016 - 04:03h

É bem verdade que nós últimos sete anos de E-Dublin, temos mencionado em nossos posts que a Irlanda é super tranquila com essa coisa de deportação, principalmente para a galera que chega aqui com o objetivo de estudo e com toda a documentação em ordem. Mas cada vez mais se escuta por aí relatos de intercambistas que foram deportados da Ilha Esmeralda. Mas por que? O que mudou?

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Crédito: Shutterstock

Primeiro e certamente o fato mais importante, se deu à baderna no sistema de ensino de idiomas no país. Após anos de muitas escolas operarem em baixa qualidade, outras que se tornaram “fábricas de vistos”, além de muitas outras irregularidades que vieram à tona, os órgãos oficiais irlandeses começaram a fechar o cerco e ficaram muito mais exigentes.

As perguntas na chegada aumentaram, a fiscalização nas escolas também, e aquele bate papo simpático com os oficiais da imigração deve acontecer com muita cautela, porque eles estão de olho naqueles que entram na Ilha com outros propósitos. Conheça alguns casos abaixo.

Eles sabem tudo sobre você

Marinah Lima chegou à Irlanda há dois anos e lembra muito bem que naquele dia os oficiais estavam ariscos. Fizeram mais perguntas que de costume e pelo menos três brasileiras passaram pela mesma situação. Ela também lembra bem que quando o oficial insistiu em lhe perguntar o que ia fazer na Irlanda, ela respondeu enfática, várias vezes: “estou aqui só para estudar”. E assim ela entrou na Irlanda.

A Marinah renovou todas as vezes que teve chance, estudou, trabalhou e no meio do caminho também pagou aquela famosa carta de frequência para renovar, nos períodos em que o trabalho não lhe permitia ir à escola. No final, já sem possibilidade de renovar como estudante de línguas, foi até a imigração e solicitou uma extensão de visto de algumas semanas para se organizar e voltar ao Brasil. Pois bem, a Marinah acabou mudando de ideia, e antes de saber a decisão da imigração sobre a extensão de visto regressou para sua cidade no Rio Grande do Sul.

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Crédito: Shutterstock

Um ano depois, veio a surpresa. A Marinah decidiu visitar amigos em Londres e ao chegar recebeu a triste notícia que não tinha permissão para entrar no Reuno Unido, nem Irlanda. OI???? “Como assim?”. Pois é, deportadíssima, minha gente. A Marinah só foi saber seis meses depois – e depois de muitas cartas enviadas à imigração – que ela tinha uma carta de deportação na Irlanda desde o período em que estava prestes a voltar ao Brasil.

Motivo? Primeiro, e mais importante, MENTIRA! Lembram que quando a Marinah chegou ela foi enfática em dizer que só estava ali para estudar? Pois é, quando ela foi pedir a extensão de visto na imigração, os agentes foram buscar o histórico da fofa no país e descobriram que a Marinah tinha trabalhado na Irlanda e até pagava seus impostos direitinho. Vale lembrar que o visto de estudante permite trabalho por 20/40 horas. O problema é o que a Marinah tinha dito ao chegar: “SÓ ESTOU AQUI PARA ESTUDAR”. Ou seja, ser honesto é parte do processo. Cuidado com o que você diz na imigração, seja no aeroporto ou no GNIB office.

O segundo erro da Marinah: desaparecer sem ter ido à imigração! Se você for até a imigração solicitar algo, tenha certeza que é o que você quer. Quando a Marinah foi solicitar a extensão de visto, ela chamou a atenção para si. Além disso, o fato de não ter ido saber se teria a extensão ou não acabou deixando suspeitas de que ela ainda estaria ilegalmente no país. O resultado disso tudo é que a Marinah, dois anos depois, ainda não conseguiu resolver essa pendência, e continua sem poder entrar na Irlanda e Inglaterra! Seu desejo de fazer mestrado pelo Ciência Sem Fronteiras na Inglaterra foi por água abaixo, e ela continua lutando para provar que deixou a Irlanda três anos atrás.

Cuidado com o que você fala

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Crédito: Shutterstock

Já citamos em matérias recentes que grupos, como o Migrant Rights Centre Ireland, estão em busca de regularizar a questão das aupairs na Irlanda, a fim de evitar abusos e a explorações no setor. Pois bem! Isso é ótimo, pois garantirá que as aupairs tenham seus direitos, como ocorre em outros países. Mas, o que isso tem a ver com deportação? Pois é! Quando se regula, também se aumenta a fiscalização, então a imigração também está de olho naquelas meninas que chegam dizendo que trabalham como aupair.

Paolla Ambrósio estava na Irlanda há 11 meses, estudava em Dublin 1 e morava em Dublin 19. Chegou na imigração para pedir a sua renovação com tudo certinho. Estava indo tudo bem, até o momento da seguinte pergunta: Porque você mora em Dublin 22 e estuda em Dublin 1? Foi aí que a Paolla justificou que só havia encontrado trabalho como aupair em Dublin 19. “Mmm. Longe, não? Quantas horas você trabalha? Como consegue vir para a escola?” Paolla respondeu já meio confusa, e o oficial disse: “Perfeito, agora vou ligar para a família para confirmar essas informações”.

Porém, a Paolla não havia sido tão honesta nas respostas. Ela, assim como muitas aupairs, não percebeu que deveria buscar famílias que respeitassem seus direitos, horários e, claro, também cumprisse com suas obrigações, como trabalhadoras que são. O resultado foi que a Paolla, da sala do GNIB office, foi direto para o aeroporto e embarcou deportada na manhã seguinte para o Brasil!

A fama nos condena

Você já deve ter escutado por aí que a fama das brasileiras em Portugal não é das melhores. Uma mistura de questões históricas com fatos reais. Pois bem? A verdade é que infelizmente a fama de “prostitutas” das brasileiras, sobretudo em Portugal, reverbera por aí, e alguns países passaram a reforçar o olhar para aquelas que chegam em seus países vindas da terra lusófona – e a Irlanda também. Perpétua Liz sabe bem disso.

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Protesto de brasileiras contra a xenofobia em Portugal. Foto: Reprodução Facebook

Após dois anos fazendo mestrado em Coimbra, a estudante de Ciências Sociais decidiu esticar a sua estadia europeia e estudar inglês por seis meses na Irlanda. Até aí nada demais, né? Pois é, mas ela estava vindo de onde? PORTUGAL! Foram 5 horas na imigração, no aeroporto de Dublin, respondendo as mesmas perguntas. E foram muitas: Como se manteria em Dublin sem a bolsa de estudos que tinha em Portugal? Por que a Irlanda? Como uma estudante com uma bolsa de 1000 euros conseguiu viajar tanto durante o mestrado e ainda ter dinheiro para estudar na Irlanda?

“Eu não entendia qual problema, pois estava com tudo em ordem”, ela relatou. “Foi muito constrangedor, já não sabia mais o que responder e já estava pedindo para voltar para o próximo voo na direção do Brasil. Depois de confirmarem todas as minhas informações no Brasil e em Portugal, me deixaram entrar. Dias depois, ainda em choque, conversando com um policial irlandês que namora com uma amiga, foi que ele me esclareceu que eu tinha o perfil das brasileiras que usam a rota Portugal-Irlanda para fins de prostituição!”

Então, meninas, saibam que se chegarem à Irlanda depois de uma temporada vivendo em Portugal, a possibilidade de ter que responder muito mais perguntas que o normal é maior.

Recentemente também publicamos um texto sobre as investigações no país sobre os casamentos arranjados. Fatos como estes, também têm ocasionado um maior controle das fronteiras irlandesas, e ninguém está escapando de ter seus propósitos no país questionados e requestionados.

Então, vale o alerta: Venham com tudo certinho, com a documentação correta e tenha claro o que pretende na Ilha Esmeralda. Conheça seus direitos,  seja o mais honesto possível e responda só o que te perguntarem!

postou em 22 jan 2016


Fonte: E-Dublin



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