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A revolução dos consumidores

Por Roger Melo*

02/09/2011 - 08:30h

Em 2011, o primeiro microprocessador da história faz 40 anos. O 4004, processador da Intel que equipava a primeira calculadora eletrônica, a desconhecida Busicom, se torna quarentão. Na época, o 4004 tinha 2300 transistores e era capaz de realizar as quatro operações matemáticas. Bem, quando se trata de evolução tecnológica, melhor é não fazer previsões, afinal muita gente já passou vergonha por causa das tais previsões. É o caso de Thomas Watson, então presidente da IBM, que em 1943 disse: “penso que há talvez no mundo um mercado para cinco computadores”. Depois dele, a revista Popular Mechanics publicou acertadamente em 1949 a previsão de que “no futuro os computadores não pesarão mais do que 1,5 tonelada”… Previsões bem mais recentes não foram muito mais assertivas. Em 1977, por exemplo, Ken Olson, presidente e fundador da Digital Equipament Corp (DEC), afirmou que “não há nenhuma razão para alguém ter um computador em casa”. Ah, mas você deve se lembrar daquela célebre frase de Bill Gates, que afirmou categoricamente em 1981 que “640 kB de memória é mais do que suficiente para qualquer um”. Sendo assim é melhor encarar os fatos de frente e observar as transformações. Observar que os novos inventos são absorvidos cada vez mais rapidamente pela população. É fato que os consumidores incorporam as novas tecnologias ao seu dia a dia com cada vez mais rapidez e os brasileiros têm mais facilidade ainda em absorvê-las. Com mais poder aquisitivo, então, os avanços são impressionantes. Prova disso são os números. Hoje já são 74 milhões de internautas no Brasil (com mais de 12 anos) e 217 milhões de celulares estão por aí… Note que a internet se tornou pública apenas em 1994 e o serviço de telefonia celular chegou ao Brasil apenas em 1990. Se vão 21 anos e nesse período já existem mais celulares do que brasileiros… Somos os campeões das redes sociais. O Orkut, por exemplo, virou reduto de brasileiros e o Facebook segue a mesma trilha. Compra coletiva? Há um ano praticamente não existia, mas hoje 51% dos internautas brasileiros já experimentaram. E estão satisfeitos, pois 64% declaram que vão continuar comprando. Hoje nota-se um amadurecimento deste Neoconsumidor. As pessoas estão perdendo o receio de comprar pela internet e passar os dados do cartão de crédito; e as empresas estão tendo que se adaptar ao comportamento dos clientes, cada vez mais digital, multicanal e global. No Brasil, recente pesquisa mostra que as compras pela internet são realizadas a partir de casa (67,10%) e do trabalho (18,08%), com 5,83% vindos de outros lugares. Um fato interessante é que boa parte das empresas no Brasil e no exterior ainda bloqueiam o acesso dos funcionários a determinados sites de compras e também às mídias sociais. Hoje existe uma discussão do quanto o bloqueio do acesso é benéfico ou prejudicial às empresas. Erin Lieberman Moran, Senior VP do Great Place to Work Institute, aponta que nenhuma das 100 empresas americanas que estão no ranking do instituto bloqueia o acesso. Segundo ela, assim como não há um monitoramento rígido quanto ao tempo gasto no banheiro ou no cafezinho, as empresas estão percebendo que o importante é contratar os melhores talentos e confiar neles. As avaliações de desempenho é que vão determinar os que devem ou não permanecer nas empresas, em função dos resultados entregues. Mais uma vez, nota-se que tudo é uma questão de bom senso. As empresas não devem bloquear os acessos, mas os funcionários devem ter bom senso em sua utilização. Pesquisar na internet; visitar e tocar nos produtos numa loja física; interagir com os amigos e identificar problemas dos produtos nas mídias sociais; receber um cupom de desconto no celular e efetuar a compra; e, eventualmente, o pagamento por ele, já faz parte do nosso dia a dia. O Neoconsumidor é multicanal e as empresas precisam lidar e tirar proveito disso. Não podemos tapar o sol com a peneira. O mundo já é digital! O Vale do Silício transformou o mundo e suas relações. Como prosperar num mundo onde só os paranóicos sobrevivem? Roger Melo é diretor de Desenvolvimento de Negócios da GS&MD – Gouvêa de Souza

Fonte: Impacta
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