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A Educação Financeira deveria ser incluída no currículo escolar dos ensinos fundamental e médio?

17/07/2014 - 10:33h

Especialistas defendem que sim

Desde 2009, o Projeto de Lei nº 171/09 tramita no Congresso Nacional para incluir oficialmente a educação financeira no currículo escolar dos ensinos fundamental e médio. O projeto propõe que o tema integre a disciplina de Matemática. Para Álvaro Modernell, sócio-diretor da empresa Mais Ativos Educação Financeira, o projeto não tem perspectiva de ser aprovado. “Na época em que ele foi concebido, o governo federal ainda não tinha as mesmas estratégias de hoje. Por isso, acredito que o projeto deveria ser adaptado às ações recentes do governo”, disse.

O especialista afirmou que a principal polêmica em torno da proposta é, justamente, incluir a educação financeira apenas na disciplina de Matemática. Ele defende que o tema deve ser tratado de maneira transversal. “Isso quer dizer que a educação financeira deveria estar presente em todas as disciplinas. A economia engloba muito mais que Matemática, ela envolve História, Geografia, até mesmo, Português e Artes”, explicou. O ensino transversal está entre as propostas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, que avalia a Educação em âmbito internacional por meio do Programme for International Student Assessment – PISA.

Modernell acredita que incluir a educação financeira em disciplinas da área de Humanas é também criar uma maneira lúdica de ensinar economia. “A criança entende muito melhor a importância da educação financeira quando ela é trabalhada nesse sentido”, ressaltou. Além disso, o especialista propõe que o educador aproxime a economia da realidade do aluno. “Só assim ele poderá melhor relacioná-la com seu dia a dia e começar a implementar aquilo que aprende na escola. Quanto mais próximo o ensino estiver da realidade, melhor o aprendizado”, completou.

Além do projeto de lei, há também uma iniciativa do governo federal que, em 2010, publicou decreto instituindo a Estratégia Nacional de Educação Financeira – Enef. A partir da estratégia, foi implantado um projeto-piloto em escolas públicas e os resultados foram avaliados de forma positiva, em 2011. Modernell defende que a Enef é a alternativa mais adequada para o País. “A estratégia não torna obrigatório o ensino de educação financeira nas escolas. Só disponibiliza o material necessário para ensinar finanças às crianças”, ressaltou.

O Professor de Matemática da Escola Estadual Professor Adamastor de Carvalho, Diego Leonardo Pires, vê a implementação do ensino de finanças como um grande desafio. “Hoje, os jovens não têm muita noção de futuro. Não conseguem compreender a importância de poupar dinheiro. As necessidades deles são extremamente imediatas. Por isso, vejo a educação financeira como muito positiva. Embora eu acredite que, para os resultados serem efetivos, teremos que ter uma mudança de mentalidade geral”, disse.

Para ele, o professor também deve ver um sentido na economia. “A mudança de mentalidade tem que começar pelo professor”, afirmou. “Se o professor não acreditar que ele pode ser um agente de transformação na educação dos jovens, nenhum objetivo será alcançado”, disse.

Para a economista Tânia de Toledo Lima, da empresa Deloitte, o ensino de finanças para crianças ainda em idade escolar é importante, também, para ajudar os jovens a fazerem escolhas. “O mais importante de tudo isso é dar aos jovens as informações necessárias para que eles possam fazer escolhas cada vez mais certeiras”, declarou.

Lima ressaltou que há exemplos em vários países que permitem afirmar a importância de incluir finanças na educação. “Nos Estados Unidos, por exemplo, quando inseriram a educação financeira nas escolas, a taxa de poupança dos jovens aumentou. Não conseguimos medir ainda a consequência disso para o Brasil, porque os resultados virão a longo prazo. Mas tende a ser muito positivo, principalmente por conta do acesso fácil ao crédito, que acaba por colocar o brasileiro sempre em dívida. Criar essa consciência, logo no começo da vida, ajuda também como incentivo à economia brasileira”, afirmou.

Por Luana Costa / Blog Educação


Fonte: blogeducacao.org.br


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