Ser Universitario
 

A arte de ser FELIZ !

Coordenador de Projetos Especiais

Artigo escrito por Judson Santos

Data 23/07/2009

"A fórmula da minha felicidade: um sim, um não, uma linha reta, um objetivo." (Friedrich Nietzsche). “A felicidade é quando o que você PENSA o que você DIZ e o que você FAZ está em harmonia.” (Gandhi). “É bem difícil descobrir o que gera a felicidade; pobreza e riqueza falharam nisso.” (Elbert Hubbard)

Eu acho felicidade um tema muito importante. Certamente não para estancar no reducionismo acadêmico, que nas salas de aula se excedem em temas, discussões e que não rompem as teorizações. Mas fazer felicidade é a proposta. Construir artesanalmente a existência do bem estar ao ampliar o espaço a partir da discussão, da reflexão e da análise. Mas é também alcançar o bem estar na ação. Proponho a superação diante do possível mal estar, do destinado a ser infeliz para agir contrariamente. Proponho ser infiel com a infelicidade adulterando com o bem estar para a santificação do ser.

Conjugar a liberdade ao fazer a felicidade... Há obstáculos nisto. Há fatores externos que impedem a liberdade dos comuns. Há situações que engessam o ato livre. E por causa destes fatores, a felicidade, frágil no ir e vir pede socorro.

A felicidade pede socorro. O motivo? Ela está infeliz por se ver pulverizada no congestionamento das artérias multiformes e disformes dos interesses imediatos e externos. Infeliz por que, assim, se torna absolutamente vazia de significados.

A felicidade pede socorro por que o tempo é usado para reclassificá-la. A passagem do tempo não deveria alterar significados, adjetivado como “novo, antigo”, uma vez que é usado para envelhecimento de algo eterno.

Por exemplo, o amor é coisa antiga... Roberto Carlos canta o amor. Roberto Carlos é antigo por que é Rei dos que estão acima dos quarenta.

Casa no campo é cenário das histórias de Monteiro Lobato. Quem se lembra da música “eu quero uma casa no campo”? Esta música é composição de Zé Rodrix e cantada com a alma por Elis Regina. Poucos a conhecem. Mas a massa que consume a música descartável, reverencia uma Bunda Melancia. Casa no Campo é coisa antiga. Perdeu-se no tempo. Mas a bunda em melão ou melancia é (cu)ltura...? E o Funk? Funk é fuck.

O amor deveria ser a aliada da felicidade, mas vem se resignificando em conveniências. O romantismo vem se emagrecendo no tempo, e substituído pelos interesses imediatos. A paixão, mola propulsora do amor é impulsionada só no mover do desejo sexual. Amor, romantismo, paixão e desejo não podem fragmentar-se. É na fragmentação que empobrece os significados e, assim não dá pra ser feliz.

A felicidade pede socorro nas ondas da moda e do consumo, que levam para os bancos de areia, e empobrecem a sua essência.

Quem se lembra da bola de meia do mineiríssimo Milton Nascimento? Poucos. Poucos também se lembram quando as crianças tinham somente uma bola de meia como a única opção do brincar, e também a bola de meia as faziam felizes. Hoje não basta uma bola, tem que ser Adidas. Não basta ser tênis, tem que ser Nike.

As marcas é que dão o tom se uma pessoa é feliz ou infeliz. Os carimbos nas calças, tênis, carros, restaurantes colocam em guetos os “felizes” e os “infelizes”.

A felicidade pede socorro quando mergulha nos lixos emocionais.

O ser urbano está se especializando em arquivar entulhos. A cada passo que ele dá guarda, e bem guardadinho (mágoa, ódio, ansiedade...), o que deveria ser des-absorvido, des-vivenciado. A psicopatologia assim pode ser redefinida em cofre de entulho. O ser urbano guarda a sete chaves, e, pior, se esquece onde estão as chaves do seu cofre. O maior desafio dos psicoterapeutas não está em refazer a felicidade do infeliz; não é descobrir a causa da dor. Diagnosticar é mole. Difícil é encontrar as chaves que liberam lixos emocionais.

Mas já que estamos falando tanto em felicidade, vamos pontuar assim: ela não é causa de nada e nem objetivo de tudo. A felicidade juntamente com a sua irmã feia, a infelicidade, são apenas reflexos do caminhar. Note bem: todo caminho tem as suas particularidades. Mas é o caminhar, o ato, a ação, o fazer é quem faz o sentir(-se bem).

A arte de ser feliz é puramente artesanal. O ato faz o sentir do ser. Fazemo-nos felizes (ou infelizes). Ela, a felicidade, não é o caminho. Ela é o ato do caminhar, mas também dá o tom. Ela mostra o que está devidamente afinado nos passos.

A felicidade não pode ser objetivo por que, sendo objetivo, impõe alvo. Torna-se tirana, exigente, reducionista e obsessiva. Ninguém pode se obrigar em perseguir a felicidade. Assim ninguém a alcança. Melhor é fazê-la fluir de dentro. Inspirar-se em construir algo que faz o sentir-se bem. Que tal andar descalço em qualquer lugar que não obriga em chegar a lugar nenhum? Isto é perfeito no prazer do caminhar. É o bem do ser que dá passos pelo simples bem estar.

Também a felicidade não pode ser causa ou origem. Nada pode substituir sonhos, ações, projetos como sementes. A felicidade vem como resultado das sementes plantadas e bem cuidadas.

Enfim...

A arte de ser feliz deve ser bem mais criança que a nossa grotesca “adultice”. O adulto adultera o lúdico quando se esquece que, para ser feliz basta apenas fazer “arte”; pura arte pura das crianças.

O Mestre Jesus, ensinou: “quem não se fizer como crianças...” A partir deste ensinamento, podemos entender: é impossível ser feliz se não imitar as crianças. As crianças se fazem felizes devido a ação espontânea, livre e criativa. Quem se faz como criança, também não tem medo de se fazer feliz.

Professor Judson Santos

www.judsonsantos.com



 

Comentários & opiniões
Comente, participe!


   
Todos os campos são obrigatários, seu e-mail não será exibido!
Comentários que forem considerados ofensivos ou SPAM, 
seráo removidos sem aviso prévio.
0 comentário(s) realizado(s) até o momento


Judson Santos

Judson Santos - Coordenador de Projetos Especiais

Professor em diversas disciplinas nas áreas: Filosofia, Teologia e Terapia Bíblica. Criador de projetos especiais em educação, coordenador de cursos de extensão e pós-graduação. Autor do livro "A Outra Face". Autor da Revista Escola Dominical com o título "A Vida Sentimental" (do adolescente). Já ministrou conferências nos seguintes países: África do Sul, EUA, Moçambique e também no Brasil. Atualmente é coordenador do projeto de formação de CUIDADORES INFORMAIS no INSTITUTO ÓRION. Ministro do evangelho, verifique melhor como contratar nossas aulas, pelo email: professorjudson@hotmail.com
Outras informações
Desde 07/05/2007
11 artigo(s) escrito(s)
23762 acessos em artigos