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Bolsa na medida e rotina acadêmica puxada: veja vida de intercambistas

16/05/2013 - 11:01h

A rotina acadêmica costuma ser puxada, porém enriquecedora. A bolsa de estudo (veja valores aqui) cobre as necessidades básicas no país estrangeiro e é suficiente para se viver sem extravagância. Os ganhos de se estudar ou pesquisar no exterior superam as expectativas. Essas são as opiniões de bolsistas entrevistados pelo UOL sobre o programa CsF (Ciência sem Fronteiras).

Instituído em julho de 2011 pelo governo federal, baseia-se na promoção e no desenvolvimento tecnológico e científico por meio do Intercâmbio de estudantes e pesquisadores em instituições estrangeiras, com prioridade para as áreas relacionadas às ciências exatas e biológicas. Atualmente há 14.437 bolsistas no exterior.

A dificuldade de comunicação é uma das críticas que fazem os brasileiros do CsF aos órgãos que coordenam o programa, que são a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e o CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Segundo os bolsistas, as dúvidas enviadas por e-mails demoram muito tempo para serem respondidas.  

Ciência sem Fronteiras

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Para Tamara Guimarães Bucalo, 24, uma das vantagens do CsF é possibilitar a dedicação exclusiva, o que nem sempre é possível no Brasil.

"Nos EUA, tenho a oportunidade de ter uma vida típica de estudante e me dedicar de verdade aos estudos", diz. Ela assiste aulas atualmente na Universidade da Califórnia, Davis, nos EUA, e está no quinto ano do curso de engenharia de energia na UFABC (Universidade Federal do ABC), em Santo André (SP).

"Antes, a minha rotina era acordar às 5h20 e ir de ônibus fretado para o estágio, onde ficava das 8h às 15h. Depois pegava um ônibus, um trem e um metrô até chegar à faculdade, onde tinha aula das 19h às 23h. Era cansativo e complicado", conta.

Infraestrutura

Conteúdo acadêmico exemplar, laboratórios bem equipados, contatos com estudantes e pesquisadores internacionais são alguns dos elogios feitos às Universidades estrangeiras que recebem os intercambistas.

"Uma diferença bem básica entre os laboratórios de Portugal e do Brasil é que lá eu tinha os reagentes que precisava. No Brasil, muitas vezes faltava reagentes ou estavam vencidos", conta Vinícius de Oliveira Silva, 21. Ele estuda o último ano de química industrial na UEG (Universidade Estadual de Goiás) e assistiu aulas na Universidade de Coimbra, em Portugal, em 2012.

Apesar das críticas à qualidade das instituições portuguesas que recebem alunos do CsF, Bruno não acha que o curso tenha sido fraco. "Muito pelo contrário. A estrutura física que eles possuem supera o Brasil em muitos pontos. As universidades portuguesas podem não estar entre as melhores, mas, a meu ver, não deixam de ser instituições de excelência em ensino", diz.

De cabeça na pesquisa 

Para o doutorando Bruno Corrêa Quint, 28, o CsF ofereceu uma oportunidade de ele estar exatamente no seu objeto de pesquisa, o telescópio SOAR, em Cerro Pachón (Chile), que será capaz de produzir imagens de outras galáxias com maior nitidez.

Quint, que faz a pós em astronomia pelo IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosférias) da USP, trabalha diretamente na parte ótica de um equipamento brasileiro, o BTFI (Brazilian Tunable Filter Imager) instalado no telescópio. "Aqui tenho acesso fácil a profissionais que trabalham nessa área há anos. São engenheiros mecânicos, eletricistas, ópticos, astrônomos, físicos", conta.

"Os laboratórios de informática da minha universidade são acessíveis 24 horas diárias por sete dias da semana com o uso de uma conta pessoal que cada estudante possui", conta Gustavo Cunha Cintra, 21.

Ele cursa o último ano de informática no IFG (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia), em Goiás, e está estudando em Estocolmo (Suécia), no KTH (Royal Institute of Technology). "A minha rotina acadêmica é bem puxada. Tenho uma a duas aulas com duração de aproximadamente três horas cada, quase diariamente. Os cursos requerem muita leitura também."



Fonte: Uol



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