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Crônica

Dia dos Professores

14/10/2011 - 14:54h

Por Eduardo Engelmann* Amanhã, 15 de Outubro, é o dia dos professores. Quando eu era um garotinho de 6 anos de idade, tive uma professora chamada Dona Solange. Eu era apaixonado por ela. Dona Solange ensinou-me a ler e a escrever. Lembro-me até hoje que a letra dela era linda, bem desenhada, bem feminina. Às vezes eu cometia alguns deslizes na sala de aula, ninguém é perfeito, e ela não me dizia nada – apenas me olhava com aqueles dois olhos azuis – era o suficiente. Mas ela me recompensava todos os dias. Quando a aula terminava, ela me dava um beijo no rosto e passava a mão pelos meus cabelos escorridos. Aquilo era o paraíso. Quando completei 8 anos de idade fiquei muito doente. Fiquei quase dois anos internado em um hospital. No início eu chorava muito. Sentia falta de meus pais e de meus irmãos. A solidão, para uma criança, é o pior castigo do mundo. Mas uma coisa mudou completamente minha vida. À medida que fui melhorando, comecei a ler para outros doentes. Lia de tudo, desde romances até os salmos ou evangelhos da Bíblia. Quando retornei para casa e retornei para a escola, ganhei um concurso de leitura. Nesse retorno a escola eu comecei a praticar desenho. Diferente da cidade de Diamantina, onde uma professora acompanhava o aluno durante todo o ano, nessa nova escola tinham vários professores. Uma delas, Dona Terezinha, me incentivou demais no desenho. Graças a ela eu trocava a pelada de futebol por algumas horas desenhando e pintando com meus lápis de cores. Creio que cada de vocês, que está lendo esse texto, provavelmente está se lembrando de algum professor ou professora que foram referências em suas vidas. Todos nós tivemos isso. Nossos professores foram de certa maneira, nossos verdadeiros educadores – pelo menos comigo foi assim. Em 1989 eu trabalhava em uma empresa de tecnologia. Cuidava de toda a parte de comunicação e, além de criar e produzir peças gráficas, produzia também apresentações (fazia freelas e era, e ainda é, uma ótima fonte de renda), enfim, eu era o faz tudo da comunicação. Um belo dia um amigo me ligou em casa indagando se eu gostaria de dar aulas de Freehand e de PageMaker, softwares que eu utilizava desde suas primeiras versões. No princípio fiquei com medo, mas a grana era muito boa. Topei, viciei e me especializei. Oficialmente, quem ministra treinamentos é instrutor, mas muitas pessoas não sabem a diferença. Então, no meu primeiro ano de aulas, no dia 15 de outubro eu ganhei vários, vários presentes de meus alunos. Achei estranho, afinal eu não era professor, mas meus alunos me tratavam, sempre trataram como se eu o fosse. Alguns até hoje me chamam de mestre e confesso que fico lisonjeado, mesmo sabendo que não sou. Andei fazendo umas contas e, pelos meus dados, já dei aulas para mais de 30.000 pessoas. Caramba, é quase o Estádio do Pacaembu lotado. É muita gente. É muita responsabilidade! Mas, cada nova turma que se iniciava, na entrada do primeiro dia de aula, sempre dava um friozinho na barriga. Confesso que estou sentindo falta desse friozinho. Conhecia muita gente que se dissiparam no tempo e muita gente que até hoje mantemos contatos. Fiz muitos amigos. Então, nessa crônica, gostaria de agradecer ao grande amigo Gilberto Rebane que um dia apostou que eu não seria um instrutor, seria professor – ele que disse isso – e também gostaria de agradecer a cada um de vocês, que um dia me aturaram em sala de aula, tomaram duras, receberam elogios, riram sem querer das minhas piadas idiotas, tomaram cerveja e cachaça no final de cada curso, enfim, fizeram que eu vivesse e compartilhasse esse dom – o dom de ensinar. E a cada curso, eu sempre aprendia alguma coisa com vocês. Valeu alunos, valeu colegas, parabéns professores e instrutores! Por Eduardo Engelmann* é gerente de produtos da Impacta Art & Design e Gestor do Clube do Designer. Atuou como ilustrador, infografista e designer gráfico nos últimos 30 anos e também como instrutor no segmento de design da Impacta nos últimos 20 anos.

Fonte: Impacta
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