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[Artigo] Do Vale do Silício ao dia a dia do brasileiro:

inovação e impactos no consumo

22/09/2011 - 10:29h

Por Roger Melo* Há 25 anos, existiam os computadores de grande porte e a Big Blue imperava absoluta. Esse mundo era para poucos seres iluminados e o mundo digital simplesmente não existia para o ser humano comum. Aliás, muitas coisas eram bem diferentes… Telefone era uma coisa que se comprava depois de ficar três dias na fila do plano de expansão e esperar dois a três anos para ser instalado em casa. Custava caríssimo e a alternativa era usar o telefone de recados… Nessa época, a maneira mais rápida de ir do Rio a São Paulo já era de avião, mas demorava-se cerca de uma hora. Se alguém falasse que um dia poderíamos fazer a mesma viagem na metade do tempo, as pessoas desconfiariam… Se a mesma pessoa dissesse que um dia carregaríamos o nosso telefone na cintura, seria chamada de louca… E se dissesse que um dia uma carta seria entregue em segundos do outro lado do mundo, então, era caso de internação imediata… A microinformática era coisa que engatinhava. Não era levada a sério. Era coisa de garoto, de hobbista. Armazenávamos informações em fitas cassete, que os mais novos nem sabem do que se trata…. Depois apareceram discos de armazenamento de oito polegadas, com a incrível capacidade de 128 kB…. Depois conseguimos dobrar a capacidade dos discos, escrevendo dos dois lados do discão… Por sinal, ainda era a época do long play para as músicas. Em meados dos anos 80, o primeiro IBM PC chegou à área do banco em que trabalhávamos. “Uau! Dez megabytes de Winchester! Nunca vamos conseguir encher isso tudo!” Detalhe: aquele “micro” custou o equivalente a US$ 10 mil. Naquela época, alguns “garotos” trabalhavam insanamente a evolução dessas tecnologias, já baseados na Lei de Moore, que garantia que os processadores dobrariam de capacidade a cada 18 meses. Não se tinha, ainda, a dimensão real dos impactos dessa evolução no dia a dia das pessoas. Apenas dizia-se que essas “coisas” facilitariam a vida. A grande questão é que gênios como Andy Grove tinham em si a sensação de que só os paranóicos sobreviveriam. Sumidades como ele, Steve Jobs e outros catapultavam a evolução da indústria de tecnologia. Andy criou a teoria do ponto de inflexão, em que uma empresa de tecnologia só sobrevive se investir intensamente em Pesquisa & Desenvolvimento e se tiver novas tecnologias prontas para serem lançadas quando as atuais atingissem o ápice da maturidade. Alinhando as teorias de ponto de inflexão com a Lei de Moore, consequentemente se tem uma diminuição exponencial do ciclo de vida dos produtos de tecnologia. E é isso que temos testemunhado no nosso cotidiano desde então. Novos produtos são lançados cada vez mais rapidamente: aquele PC de 10 MB de armazenamento e cerca de 5 MHz de processador foi substituído por outro, e depois por outro, e hoje você compra um muito mais potente e baratinho por menos de R$ 1.000 na loja do shopping da esquina. Olha que estamos falando de vários GHz de velocidade e até TBs de armazenamento… Ah! Mas para que o tal do PC, se podemos ter um notebook, um tablet ou um smartphone? As opções são tantas que podem até confundir, mas o consumidor está cada vez mais esperto e antenado. Plugado na evolução tecnológica. Hoje, a viagem do Rio a São Paulo só não demora menos de 30 minutos porque não conseguimos estacionar tantos aviões em Congonhas e os passageiros não embarcam e nem desembarcam com rapidez suficiente. Aliás, aquele telefone que mencionamos andam, há pelo menos uns dez anos, na cintura de muitos brasileiros. As cartas, agora conhecidas por e-mail, circulam aos milhões por aí, unindo multidões em segundos e encurtando as distâncias. E a internet, que nasceu outro dia, é realidade para a maioria da população que se envolve através das redes sociais, coqueluche dos brasileiros. A vida está cada vez mais atemporal e cada vez menos associada à distância. Amigos, temos aos montes e em qualquer lugar do mundo. Nos comunicamos com eles a todo momento e sem barreiras de quilômetros ou fusos horários. A tecnologia esta fazendo o mundo cada vez menor. Ainda temos um pouco de problema com a língua, mas a cada dia a tecnologia nos ajuda com isso também. Daqui a pouco, o que escrevermos em português aparecerá ou será falado em qualquer outro idioma com naturalidade. Falta pouco! O fato é que o avanço tecnológico em espiral está beneficiando as pessoas e, o que é bom, nós nos acostumamos com facilidade. Se os imigrantes tecnológicos estão se adaptando rápido, os nativos tecnológicos dominam a sua evolução acelerada de forma avassaladora e provocam verdadeiras transformações no mundo real. O professor precisa ser muito mais ágil, inteligente e esperto do que antigamente, para não ser engolido pelos alunos e seus acessos à internet, que agora não estão só em casa, mas sim no celular, no smartphone que eles carregam no bolso. E o vendedor do varejo? Ele enfrenta todo dia um desafio brutal. O consumidor muitas vezes tem mais informação sobre o produto que querem comprar do que o próprio vendedor. Mais informação de preço, qualidade, reclamações, promoções… O consumidor é cada vez mais multicanal e utiliza esses canais de forma cruzada (cross channel). Se informa em um, recebe informação por outro, é influenciado por um terceiro, reclama em outro diferente e compra no canal onde se sentir melhor e mais bem atendido, recebido e tratado! Não podemos tapar o sol com a peneira: o mundo já é digital! O Vale do Silício transformou o mundo e suas relações. E como sobreviver num mundo onde só os paranóicos sobrevivem? Roger Melo é diretor de Desenvolvimento de Negócios da GS&MD – Gouvêa de Souza

Fonte: Impacta
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