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Interaction Designer

a mais nova profissão do mercado

06/03/2012 - 09:39h

Por Amyris Fernández* Interaction Designer é a mais nova profissão do mercado. Esse profissional deve ter conhecimento multidisciplinar, mas, mais que tudo, deve saber o valor de entender o negócio, suas regras e seus objetivos antes de começar a desenhar qualquer trabalho. Deve ser uma pessoa que entenda que cada uma das decisões que toma – seja sobre a arquitetura de informação, design, conteúdo ou decisões de usabilidade – tem impacto direto sobre o resultado financeiro das empresas. Porém, para entender melhor a profissão, creio que é preciso compreender outras duas profissões que são muito confundidas com a do designer de interação: arquitetos de informação e engenheiros de usabilidade. E, para isso, vale fazer uma retrospectiva histórica do surgimento dessas profissões. Dos Fatores Humanos ao estudo da Interação Humano-Computador O estudo de Fatores Humanos começou no final do século 19, em meio à Era Industrial, e tinha como foco aumentar a produtividade humana nas linhas de produção. Portanto, era necessário adaptar as pessoas às máquinas e não o oposto, pois as máquinas eram caras e não podiam quebrar, e porque também eram mais limitadas em adaptação, enquanto os seres humanos, sempre mais flexíveis, podiam alterar seu comportamento. À medida que as máquinas evoluíram, muitas tarefas foram automatizadas e a relação de trabalho mudou, pois os seres humanos passaram a fazer tarefas mais intelectuais, deixando as tarefas repetitivas para as máquinas. Nos anos 70 e 80, quando parte das tarefas críticas e de risco já estavam computadorizadas, os estudiosos voltaram a estudar seres humanos nos seus aspectos técnico, social e institucional. Nessas situações de risco, onde sempre foi mais fácil culpar os humanos por sua natural capacidade de cometer erros, começavam a ficar evidentes as fraquezas de concepção das interfaces das máquinas, onde não havia como receber o input de recuperação de um erro ou uma saída criativa de um humano (sempre mais adaptável e flexível) a uma situação de risco. Nesse momento, o estudo da arquitetura de sistemas foi se transformando em arquitetura de informação e a otimização dos elementos da interface foram criando o caminho para a engenharia de usabilidade. Nestas duas novas disciplinas, o bordão “conheça o usuário” ainda é o mote. A questão é que essa abordagem olha para o ser humano como uma máquina de processamento de informações, isolado de seu contexto e grupo de relações, sem levar em conta cultura, educação e estrutura social. É como se durante anos olhássemos humanos como se fossem máquinas e não como atores de um processo, saindo da visão meramente cognitiva para avançar para o âmbito da sociologia e marketing. É dessa mudança de abordagem que nasce o trabalho do Interaction Designer. Originalmente, os produtos do trabalho de um Arquiteto de Informação eram: mapas de navegação, wireframes e uma documentação extensa de comportamentos de sistema, casos de uso. Certamente este profissional precisava conhecer o usuário, mas seu maior foco ainda eram as limitações do sistema, as regras de negócio e aquilo que poderia ser implantado dentro de um período de tempo. Resumindo, o resultado do trabalho do arquiteto de informação estava limitado ao sistema. Outro aspecto do trabalho de AI é a sua natureza fortemente operacional. As decisões estratégicas sobre regras de negócio e/ou tecnologias são tomadas antes da AI ser feita e a modificam grandemente. Como resultado, a carreira de AI é horizontal. Um AI pode ser mais rápido ao produzir wireframes, muito competente ao escolher alternativas para os diversos elementos de navegação, ou ainda muito atento a todos os casos de uso, mas muito raramente vai sentar-se à mesa de negociação para indicar interações necessárias que possam favorecer os negócios. Um Engenheiro de Usabilidade, por sua vez, tem como produto de seu trabalho a supervisão e aconselhamento sobre as interfaces, mas seu foco é a otimização da execução da tarefa: torná-la mais fácil de ser realizada e/ou mais rápida de ser executada, ou ainda evitar erros que gerem riscos. A questão é que esse tipo de trabalho não raro é visto como “apenas uma questão de bom senso” ao fazer a interface e, obviamente, pode ser feito por qualquer um. Lamento informar que não, não pode ser feito por qualquer um. No mínimo, precisa conhecer conceitos de psicologia cognitiva. Outro problema enfrentado por esses profissionais é que as empresas consideram caro fazer os testes junto a usuários e deixam para fazer os testes (quando fazem) para quando o produto já está no ar, o que torna as mudanças muito mais caras e o impacto de uma usabilidade ruim mais evidente sobre a percepção de marca. Isso torna a carreira da pessoa de usabilidade muito limitada à concepção do design e/ou aos testes, como consultor. Importante ressaltar que esses dois trabalhos parecem estar extremamente ligados às mídias digitais. É bem verdade que o mercado brasileiro que absorve estes profissionais está ligado a estas mídias, mas há uma mudança a caminho. Desde que o movimento escandinavo de Design Participativo se espalhou, o design de interação também tomou força e rompeu a barreira das mídias digitais. Interaction designers são chamados para encontrar soluções para prestação de serviços, resolver problemas de apresentação de informações em museus e pensar em produtos que façam as pessoas quererem pagar mais por eles, mesmo que a marca não seja tão conhecida. Essa nova profissão amplia os horizontes de atividade e vem sendo requisitada pelo mercado, valorizada pelas empresas. São pessoas com visão de negócios e marketing, com conhecimento amplo de pesquisa de mercado e planejamento de comunicação, sabem comandar equipes e pensar em inovação junto aos decisores dentro de uma empresa. Trata-se, portanto, de uma profissão com um horizonte mais amplo e com maiores possibilidade de ascensão de carreira. Para quem quiser saber mais da profissão e job descriptions, visite: Oportunidades *Amyris Fernández é Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade Metodista – SBC (2007). Bolsa sanduíche durante o doutorado na University of Copenhagen, no Center of Computer Games Research em 2006. Mestrado em Comércio Eletrônico pela University of Rochester, Estados Unidos (1999). Professora e coordenadora do Curso de Comunicação em Mídias Digitais na FGV-SP. É coordenadora do curso de Design de Interação e professora de Usabilidade, AI em ambientes mobile, e psicologia cognitiva na Faculdade Impacta . Consultora nas áreas de Usabilidade e Experiência do Usuário, com viés para business e comunicação em Meios Digitais.

Fonte: Impacta
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