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Mudança de Atitude

criado pelo consumidor

22/03/2012 - 16:42h

Não faz muito tempo, alguns jornais publicaram noticias dizendo que executivos das industrias automobilísticas já começaram a temer que o carro possa ter o mesmo fim do cigarro. A União Européia ate já pensa em restringir a propaganda de carro, a exemplo do que acontece hoje com o tabaco. Os europeus querem que, em todos os anúncios de carros, sejam claras as informações sobre o consumo de combustível e quanto emitem de CO2 por quilômetro rodado. Se os europeus já estão questionando a produção e o uso indiscriminado dos automóveis, nos brasileiros estamos comprando veículos desesperadamente (vide os números da industria automobilística referente a março). O crescimento foi estrondoso com o fim da redução de IPI. Todos os que compraram veículos não pensaram no que ele representa para o meio ambiente. Alguns podem dizer: “mas não temos transporte público eficiente”. Culpa nossa, que não exigimos isso dos governantes. O lixo é outro problema criado pelo consumidor. Tudo o que consumismo sai da natureza e volta para ela em forma de lixo ou resíduos. Nos Estados Unidos, por exemplo, estima-se que, a cada 100 quilos de produtos colocados no mercado, são criados 3.200 quilos de lixo. Os números são da organização indiana Centre for Science and Environment (CSE). Outro dado: cada americano que vive nos grandes centros urbanos produz diariamente dois quilos de resíduos sólidos. No Brasil, país subdesenvolvido, a produção diária per capta já é de 0,80 quilo. Mudar nosso futuro por meio do que consumimos é o grande desafio do cidadão, mas que ainda é direcionado tão somente às compras e à produção de lixo. Vivemos com os olhos nas vitrines das lojas físicas e virtuais e somos instigados pela propaganda a comprar o tempo todo. Precisamos trocar até mesmo aquele item que ainda nos serviria por muito tempo. Essa conduta não é nova. Importamos junto com produtos e serviços a mentalidade criada na Revolução Industrial, quando se estabeleceu que a economia giraria em torno do consumo. Desde então, consumir passou ser uma necessidade, uma obrigação, não apenas status. Só que com o consumo exagerado de itens supérfluos e descartáveis, estamos avalizando o processo de degradação das condições naturais do nosso planeta. Não pensamos que, enquanto consumidores, somos tão responsáveis pela sustentabilidade como qualquer governo, empresa ONG etc. Isso não significa que precisamos ser “xiitas” e recusarmos todos os produtos e serviços disponibilizados no mercado. Afinal, vivemos numa sociedade em que o ato de consumir faz parte do dia a dia. Mas a diferença entre consumir bem ou não está na forma pela qual fazemos nossas escolhas. Em outras palavras, nossa compra não precisa ser uma ação irracional, destruidora. Todo cidadão está sendo chamado a ter comportamento responsável na hora de consumir. Para tanto, bastam bom senso e conhecimento. Escolher fornecedores que respeitam o planeta pode ser um passo determinante até para a mudança de atitude das empresas. Com ações responsáveis de compra, mostramos ao mercado nosso poder enquanto consumidores. E temos poder. Afinal, o dinheiro está em nosso bolso. Nós é que decidimos a quem vamos entregá-lo em troca de produto ou serviços. Que seja então as empresas preocupadas com o meio ambiente. Esse poder ser o primeiro passo para que nós, consumidores, assumamos nosso quinhão de responsabilidade com a sustentabilidade. Para obter informações de como realizar uma compra segura e responsável acesse o site www.consumoempauta.com.br Por Ângela Crespo Jornalista especializada em relações de consumo e defesa do consumidor, colunista do Diário do Comércio, da Associação Comercial de São Paulo – coluna “ Dos dois lados do balcão” - , trabalhou nos últimos 20 anos no Jornal da Tarde onde criou e comandou por 18 anos a coluna Advogado de Defesa (relações de consumo).

Fonte: São Judas
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