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Alunos da UFJF avaliam impacto da suspensão do semestre letivo

29/07/2015 - 15:01h

A suspensão do calendário do segundo semestre da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) preocupa os alunos da graduação. O G1 conversou com estudantes que estavam se preparando para intercâmbios e com formandos.

Eles temem consequências mais drásticas, como o fechamento por falta de verbas, a perda de oportunidades de trabalho e convivem com a incerteza sobre as viagens para o exterior. UFJF e MEC se posicionaram sobre o assunto.

A decisão foi tomada durante reunião do Conselho Superior da instituição na tarde desta terça-feira (28). Cerca de 17 mil alunos estão na graduação atualmente, segundo a universidade. A UFJF informou que, entre os motivos da medida, estão o corte orçamentário e a greve dos funcionários técnico-administrativos da instituição.

Os alunos selecionados no edital para o Programa de Intercâmbio da Graduação (PIIGRAD), vão se reunir nesta quarta-feira (29) às 18h30 na Reitoria para avaliar um posicionamento diante da crise na UFJF. Eles publicaram uma carta na internet manifestando a preocupação sobre os investimentos pessoais feitos em um projeto que pode não se concretizar.

Um deles é o estudante do 9º período do curso de Letras, Igor Werneck Arantes, que pretende ir para a universidade de Tomsk, na Sibéria, para estudar língua, cultura e literatura russas a partir de 1º de setembro.

“Teria que viajar no máximo no final de agosto. Na reunião com os selecionados em julho, foi apresentado o quadro de crise, mas recebemos a garantia de que a verba estava já na UFJF e que a gente iria embarcar. Só que agora não recebemos uma informação precisa”, contou.

A bolsa prevista de US$ 6.250, mais de R$ 20.900, seria paga em duas parcelas, uma em julho, ainda não disponibilizada, e outra em agosto, quando eles já estivessem nos destinos. Confiando no pagamento, Igor Werneck conta que cumpriu com a parte que competia ao selecionado.

“Fiz mais de dez viagens ao Rio de Janeiro para fazer a prova de Línguas e providenciar os documentos para visto e passaporte. Só não comprei ainda a passagem, mesmo com as promoções que encontrei, porque não tinha mais capital. Se contabilizar todos os gastos e o estresse com a situação, é um prejuízo que não tem preço”, analisou.

O estudante, que é de Paraíba do Sul (RJ), atualmente está sem casa em Juiz de Fora. “Já prevendo que ficaria o semestre fora, entreguei o apartamento e vendi móveis, porque não conseguiria arcar com o custo do intercâmbio e o pagamento de um aluguel. Atualmente moro de favor na casa de uma amiga da minha família. Considero um descaso não só comigo, mas com todos que estão nesta situação ou até mesmo pior, porque comprometeram o orçamento de suas famílias considerando”, comentou.

A estudante Ludmila Azevedo, do 6º período da Faculdade de Comunicação, escolheu o curso de Estudos da Mídia na universidade em Aarhus, na Dinamarca. “É uma instituição conceituada com um curso que me interessa, inclusive com mestrado, que eu gostaria de tentar na sequência dos meus estudos. Seria uma experiência diferente, que me ofereceria uma nova visão pessoal e profissional”, destacou.

Pelo calendário, a estudante precisa estar na universidade no final de agosto para participar da apresentação da cidade e do curso realizada aos intercambistas. “Tenho que estar lá no dia 25 de agosto. A ideia era sair do Brasil por volta do dia 20 ou até antes, porque me candidatei a um Estágio na cidade e talvez precise antecipar a viagem caso eles me chamem”, contou.

A família já quitou as taxas exigidas, além dos gastos com a documentação. A mãe da estudante ainda teve que pagar um aluguel adiantado na Dinamarca para garantir a vaga da filha. “Só não comprei a passagem nem fiz o seguro particular de saúde. Sem bolsa, não tem como viajar. O curso não é pago, mas é necessário pagar aluguel e alimentação durante o intercâmbio. Sem bolsa, não tem viagem”, afirmou.

Futuro em suspenso
Muitos dos alunos com formatura prevista para o segundo semestre já investem na busca por uma colocação no mercado de trabalho, projeto que agora está em suspenso. É o caso de Augusto Tostes, que faria o 10º e último período no curso de Direito. “Todos sabem como está difícil conseguir emprego, ainda mais para quem quer trabalhar em cargo público, então investem em aulas e em estudo. Estou prestando vários concursos públicos. Se for chamado, não poderei assumir o cargo se não tiver formado”, lamentou.

Outra situação específica para os alunos de Direito envolve a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “Alguns amigos meus já fizeram e foram aprovados, mas também não podem pegar a carteira até ter o diploma. Eu farei a próxima, com etapas previstas para novembro deste ano e janeiro de 2015, e também ficarei à espera”, ressaltou.

A suspensão do calendário também paralisa o andamento do curso. “A única coisa possível de adiantar seria a monografia, mas depende da disponibilidade do Professor orientador, porque alguns não estão em Juiz de Fora. Há colegas passando apertos financeiros porque não receberam o apoio estudantil. Há outros que não são da cidade e aguardam uma definição para saber quando voltam. É preocupante porque ainda não tem um posicionamento da Reitoria de perspectiva de alguma melhora no quadro”, explicou.

Categorias unidas
A integrante do Diretório Acadêmico do Curso de Direito, Gabriela Rigueira Cavalcanti destacou que a suspensão do calendário seria o menor dos males no atual contexto. “Ninguém da comunidade acadêmica, seja professor, técnico ou aluno, gosta de greve ou suspensão do calendário. Atrapalha e atrasa a vida de todo mundo. Diante da situação nacional, este desconforto de ter o período suspenso e atrasado deve ser encarado como o menor dos problemas. Pior seria começar o período agora e não ter verba para continuar ou o risco de fechar as portas por causa da falta de recursos”, avaliou.

Ela disse que sete representantes dos estudantes participaram da reunião do Conselho Superior e há uma movimentação para a reunião dos Diretórios Acadêmico na próxima segunda-feira (3). “Queremos chamar também os sindicatos dos Professores e dos Servidores Técnicos-Administrativos. Temos que unir forças, os três lutando juntos pela universidade pública terá um peso maior”, afirmou.

Posicionamentos
Em nota, a UFJF informou que mantém diálogo com os alunos sobre as pautas apresentadas durante a ocupação da Reitoria, orçamento e negociações com o MEC. Quanto ao intercâmbio, a Administração Superior da UFJF garantiu o pagamento da primeira parcela das bolsas, conforme o edital, com prioridade. A UFJF aguarda o repasse de recursos do MEC para efetuar o pagamento, o que deve ocorrer nos próximos dias.

Sobre a retomada das aulas, a instituição ressaltou que um novo calendário acadêmico será implantado assim que se modificar o cenário de greve dos técnico-administrativos, o que impede as matrículas dos calouros. Afirmou que ainda não é possível avaliar eventuais prejuízos para os formandos, pois a conclusão do segundo período letivo de 2015 se dará na data que vier a ser estabelecida pelo novo calendário.

A assessoria do Ministério Da Educação (MEC) ressaltou que cada instituição federal tem autonomia administrativa e financeira para gerenciar o calendário e os recursos. Informou que o secretário de Educação Superior, Jesualdo Farias, reuniu-se com os reitores para definir as prioridades de cada instituição diante do ajuste orçamentário. Por isso, o MEC não comenta as decisões tomadas pelas instituições.

O G1 entrou em contato com o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino de Juiz de Fora (Sintufejuf), mas as ligações não foram atendidas.

 




Fonte: G1

STONE EMPREENDEDOR

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