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Alunos mantêm ocupação na Unesp e criticam a estrutura das moradias

31/05/2014 - 18:01h

Ocupação Unesp 3 (Foto: Felipe Lazzarotto/ EPTV)
Estudantes colam cartezes com reivindicações
na diretoria (Foto: Felipe Lazzarotto/ EPTV)

Um dos líderes do grupo de estudantes que ocupa a sala da diretoria da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara (SP), questionou não só o número de vagas para moradias, mas também a falta de estrutura desses alojamentos.

O universitário, que preferiu não se identificar, conversou com a equipe do G1 neste sábado (31) e reclama que, em alguns casos, há superlotação, rachaduras e casas inadequadas para a estadia. De acordo com ele, não há previsão para o grupo deixar a área. A assessoria de imprensa da Unesp foi procurada, mas não foi localizada para comentar o assunto.

A ocupação acontece desde sexta-feira (30), quando 45 pessoas aderiam à manifestação, que é considerada pacífica. O local foi invadido de madrugada pelos manifestantes, que chegaram de rostos cobertos e quebraram uma fechadura para invadir a área. Eles tamparam câmeras de segurança com panos e destruíram vidraças da diretoria.

Vagas em moradias
O integrante do grupo negou que a universidade esteja negociando com os manifestantes, questionando a informação dada pelo diretor Arnaldo Cortina, em Entrevista concedida na quinta-feira (30), ao Jornal da EPTV.

Na ocasião, Cortina disse que o campus dispõe de 128 vagas e que apenas 110 pessoas se interessaram pelo processo de inscrição. Destas, 85 foram aprovadas. A seleção, de acordo com o diretor, foi feita por uma comissão formada por professores, alunos e estudantes.

OCUPAÇÃO Unesp 4 (Foto: Felipe Lazzarotto/ EPTV)
Processo de seleção de vagas é alvo de críticas
(Foto: Felipe Lazzarotto/ EPTV)

Só 110 estudantes participaram do processo, mas a gente pode desconsiderar esse número, sabendo dos inúmeros erros que o processo tem. Não foram consideradas 128 vagas e sim 96 vagas aptas para morar. Então, quando ele [diretor] diz que só 85 vagas foram cedidas, ele nem considerou as 128. Porque se 110 pessoas pediram e há vagas sobrando, não haveria por que não dá-las para quem precisa de verdade, criticou o aluno, que disse não ter saído do local desde o dia da ocupação.

O líder estudantil apresentou uma carta redigida pelo grupo que aponta possíveis falhas da universidade. De acordo com o documento, na última semana, a direção teria entregue ordens de despejo a 38 alunos, "inclusive para alguns que já saíram da moradia e outros que nem chegaram a morar". Um prazo de sete dias teria sido imposto para a saída, caso contrário, medidas administrativas pertinentes seriam tomadas.

Para o estudante, a ação foi arbitrária, já que os "ameaçados" teriam comprovado a necessidade do auxílio-permanência. A intenção não deveria ser a expulsão de alunos que têm o benefício, mas sim a ocupação das vagas disponíveis. São todos de outras cidades e dependem da moradia, disparou, ressaltando ainda que "atualmente as moradias não contemplam nem 3% do corpo estudantil e há mais de 5 anos não existe ampliação do número de vagas".

Para o grupo, a solução seria a construção de novos blocos para a residência estudantil. Mas a lista de reivindicações é maior. Além de moradia, eu quero bolsa-alimentação. Não recebo nenhum beneficio. Eles cortaram tudo. As explicações que dão não são condizentes. A assistente social é muito austera, muito dura, não consegue fazer um análise social real de cada aluno e nós queremos que isso ocorra, relatou o Universitário.

Sem chuveiros
O representante ainda disse que a universidade retirou os chuveiros dos blocos da universidade para evitar protestos por mais de um dia. Nós estamos nos virando com o banheiro da direção. Na verdade, banheiros com chuveiros são obrigatórios por lei e o diretor os tirou da universidade. A gente não consegue fazer conselho de entidade, congregação estudantil, porque não tem esse suporte. Por isso, não podemos chamar nenhum congresso para cá. Foi como um boicote a qualquer tipo de manifestação que perdure mais de um dia, comentou.

Críticas à invasão
Róbson Joaquim Lúcio Alves, que cursa o 4º ano de Economia na Unesp Araraquara, é contrário ao movimento, o qual classifica como "radical". Para ele, o grupo é uma minoria no quadro atual de estudantes, composto por mais de 3 mil pessoas. "Eles fazem assembleias com quóruns baixos, é uma coisa 'aparelhada'. Certamente essa ocupação não é a maneira certa de negociar, até porque envolve questões como o erário público. Não é assim que se consegue melhorias", criticou.

Unesp
A assessoria da Unesp foi procurada pelo G1 para comentar as críticas do grupo invasor, mas ninguém foi localizado para falar sobre o assunto.

Fachada Unesp Araraquara (Foto: Fernanda Tolentino/ G1 )
Movimento foi fraco neste sábado (31) na entrada da Faculdade de Ciências (Foto: Fernanda Tolentino/ G1 )

Fonte: G1

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