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Aos 16, campeã 'olímpica' diminui ritmo dos estudos para 10h por dia

21/10/2014 - 05:02h

Letícia Pereira de Souza tem só 16 anos, mas já é uma "atleta" de destaque em olimpíadas do conhecimento.

Em cinco anos de competições, a jovem conquistou 12 medalhas e duas menções honrosas por seu desempenho nas áreas de astronomia, biologia, ciência, física e química.

O prêmio mais recente foi uma medalha de ouro na Olimpíada Ibero-Americana de Biologia, realizada na primeira quinzena de setembro deste ano, no México. "Estudava desde dezembro para ela. Foi incrível", conta.

Para assegurar o bom desempenho, a jovem passa o dia todo na escola e divide sua agenda entre as aulas do segundo ano do ensino médio, grupos de estudo e atividades extras para as competições escolares.

"Acho que chego a estudar em média umas 10h por dia, contando o tempo que passo em sala de aula. Alguns dias fico mais tempo por causa das aulas preparatórias", conta.  "Mas no começo do ano eu estudava ainda mais. Acho que até 12h por dia. Só que resolvi diminuir o ritmo e cuidar mais da saúde. Agora, faço natação duas vezes por semana para ajudar a aliviar a tensão", acrescenta.

Seus objetivos diante de tanto esforço é ser aprovada em Universidades nacionais e internacionais. O grande sonho de Letícia, no Brasil, é passar em ciências físicas e biomoleculares na USP ou em engenharia aeroespacial no ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica). "Eu queria engenharia desde o 9º ano, mas no fim do 1º ano [ensino médio] eu descobri a biologia de verdade. E me apaixonei", relata.

Já no exterior, a estudante deseja fazer algum curso na área de biologia no Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) ou na universidade de Columbia, em Nova York.

Arquivo pessoal


Letícia durante Olimpíada Ibero-Americana de Biologia, realizada no México
De São Paulo para o Ceará

As premiações recebidas por Letícia renderam alguns convites para ela cursar o ensino médio em escolas particulares com bolsas de estudo. O Colégio Ari de Sá Cavalcante, em Fortaleza, foi o escolhido.      

Confiante de que mais essa mudança lhe traria bons frutos na educação, a estudante fez malas e se mudou de Pindamonhangaba (140Km de São Paulo), cidade em que morava com os pais, para cursar com bolsa integral o segundo ano do ensino médio. "Meu pai visitou o colégio e acertamos a proposta de que eles pagariam moradia e [a mensalidade do] colégio".

Os primeiros dias não foram fáceis pós-mudança. A nova cidade, a falta da família e a exigência de uma puxada rotina escolar foram situações difíceis de enfrentar. "Tive que aprender tudo sozinha, aprender a fazer compra, me organizar. A saudade é muito complicada, mas depois de um tempo a gente acostuma", diz a jovem que mora num pensionato com outros estudantes do mesmo colégio e aprendeu a administrar o dinheiro (entre R$ 80 e R$ 100) enviado semanalmente por sua família.

"A mudança foi boa. Esse ano fiz muito mais olimpíadas do que no ano passado. Voltei da Ibero-Americana [de biologia] e logo já tenho a de física. Acho que isso [participar das competições] pode me ajudar bastante quando eu tentar uma vaga nas universidades de fora", explica.

Apesar do dia a dia puxado, a estudante dá um jeitinho para ter momentos de lazer aos finais de semana.  "No sábado e domingo faço compras pra casa, saio para jogar RPG ou vou para a beira-mar [avenida] andar de patins. É bem gostoso."

Interesse

O interesse pelas olimpíadas do conhecimento vem desde pequena. Aos 11 anos participou da Olimpíada Brasileira de Astronomia e conquistou sua primeira medalha, uma de bronze. O gostinho pela vitória só reforçou a vontade de continuar competindo. No ano seguinte, ganhou uma medalha de ouro na mesma competição.

"A primeira medalha mais importante foi uma de prata na Olimpíada Paulista de Física [2011]. Foi incrível ver todo o esforço ser compensado. Na época, eu nem conhecia muito de física, mas ganhar me estimulou a estudar ainda mais", lembra.

O gosto pelas competições foi tanto, que Letícia na sexta-série do ensino fundamental -- aos 11 anos -- decidiu mudar de escola. Segundo a estudante, a instituição de ensino não quis inscrevê-la em uma competição escolar e ela decidiu buscar outra que a apoiasse.

"Eu pedi para a direção me inscrever, mas eles não fizeram nada para ajudar. Aí um Professor me incentivou a mudar em busca de um incentivo maior. Conversei com meus pais e eles aceitaram", explica.

Letícia diz que após a troca de colégio conseguiu participar de mais competições e não parou mais. Só no ano passado, conquistou seis premiações, entre competições nacionais e internacionais.



Fonte: Uol

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