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No AC, escola aposta em aulas integradas e aprova três em medicina

30/01/2015 - 09:01h

Luís Humberto (centro) alcançou o 3 lugar e Illana Souza (esq.) o 4 lugar em medicina na Ufac; Maykom de Lira (dir.) passou em 5 na Ufam (Foto: Caio Fulgêncio/G1)
Luís Humberto (centro) alcançou o 3º lugar e Illana Souza (esq.) o 4º lugar em medicina na Ufac; Maykom de Lira (dir.) passou em 5º na Ufam (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Investir em aulas integradas, além do método tradicional, foi a tática utilizada pelo Centro Educacional e Cultural Meta, em Rio Branco, para preparar de forma eficiente os alunos do terceiro ano do ensino médio para o Enem 2014. Como resultado, a escola conseguiu aprovar três estudantes no curso de medicina, dois deles na Universidade Federal do Acre (Ufac) e um na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

"Nós trabalhamos durante todo o ano a questão da interdisciplinaridade, que é fazer uma relação entre as disciplinas. Coisa que as escolas fazem de maneira separada. Fizemos aulas integradas. Os Professores trabalhavam ao mesmo tempo com cadernos de disciplinas, que é um dos pré-requisitos do Enem. No final da aula, o aluno ficava com uma visão mais ampla. Foi um dos grandes diferenciais", diz o Professor de química, Richardson Barros.

 

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As aulas especiais, adotadas desde o início de 2014, eram ministradas pelos professores das disciplinas que compõem determinada área cobrada no exame. Ou seja, ao invés dos alunos acompanharem os conteúdos de forma separada, em uma aula integrada de 'Ciências Humanas e suas Tecnologias', por exemplo, eles tinham os professores de história, geografia, filosofia e sociologia juntos em sala de aula. Além disso, testes semanais eram promovidos para acompanhar o rendimento da turma.

O novo método foi apoiado pelos futuros médicos. Para Luís Humberto da Silva, de 17 anos, que obteve 764,16 e garantiu o 3º lugar em medicina na Ufac, a mudança no método foi fundamental para o bom resultado, sobretudo, pela quantidade de conteúdo que era passada em sala de aula, que permitia que o estudante criasse uma rotina de estudo.

"Acho que a mudança foi importante, porque antes eram apenas quatro apostilas, quando elas terminavam, já relaxávamos. Conosco foram sete apostilas, nem terminava direito uma e já chegava outra. Estudávamos e fazíamos exercícios o tempo todo. E tinham os testes, que eram mais um complemento para ver como o aluno estava para o Enem", diz.

Illana Souza, de 17 anos, obteve 762,89 e ocupa o 4° lugar em medicina também na Ufac. Para ela, estudar nos moldes cobrados pelo Enem permitiu se habituar, desde o início do ano, com a prova. "Foi muito bom englobar todas as matérias num mesmo conteúdo. Procuramos absorver aqueles conteúdos e não focar numa só coisa. Eu entrei no cursinho somente, a partir da metade do ano, apenas para revisar o que eu já tinha visto, como uma complementação", fala.

Professores de química e física, Richardson Barros e Marco Antonio Heine, trabalharam juntos em aulas integradas na preparação do Enem (Foto: Caio Fulgêncio/G1)
Professores de química e física, Richardson Barros e Marco Antonio Heine, trabalharam juntos em aulas integradas na preparação do Enem (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Tanto Luís Humberto quanto Illana não sonhavam com medicina desde a infância, como em muitos casos. Os dois decidiram investir na área desde o início do ano. "Decidi que ia fazer medicina desde o começo de 2014. Por isso, passei a me dedicar mais, porque sabia que era mais concorrido, foi preciso muita disciplina. O aluno tem que ter conhecimento de si, saber quais os horários do dia que rendem mais, quais as matérias que vai se dedicar mais", diz Illana.

Dos três amigos, o único que não optou pela Ufac foi Maykom de Lira, de 16 anos. Ele alcançou 783,18 pontos no Enem e ficou na 5ª colocação para medicina na Ufam, em Manaus. "Eu achei excelente essa proposta inovadora de reunir todos os professores dentro de sala e debater sobre as matérias. O Enem tem uma proposta diferente, então não pode se dedicar somente a uma disciplina", diz.

Professora de redação, Rose Vichinsky, diz que, como preparação para o exame, debates eram realizados em sala de aula (Foto: Caio Fulgêncio/G1)
Professora de redação, Rose Vichinsky, diz que, na
preparação para o exame, debates eram realizados
em sala de aula (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

Maykom conta que escolheu a Ufam devido às qualidades estruturais do curso. Ele já está começando a se preparar para a mudança. "A Ufam tem uma estrutura melhor e conta com um hospital universitário, que é fundamental para o aluno de medicina. As aulas vão começar no segundo semestre, mas já estou me preparando, vou no dia 4 de fevereiro para a matrícula e ver a questão de moradia. A expectativa é muito boa", relata.

Dentro da interdisciplinaridade adotada pelo colégio, a redação também está incluída. A professora Rose Vichinsky explica que, além de ensinar as características práticas para uma boa redação, as aulas eram destinadas para debater temas de relevância nacional que poderiam cair no Enem.

"Além dos quesitos fundamentais, fazemos um debate acerca do tema. Debato sociologia, geografia na área geopolítica, história, filosofia e também biologia e química, de mais intermediária. Dentro da minha carga horária de língua portuguesa, determino um horário para redação, com temas para o debate", diz.

Proximidade foi fundamental, diz professor
A proximidade entre professores e alunos é apontada como uma característica fundamental no rendimento, segundo o professor de física, Marco Antonio Heine. Ele diz que participa até de grupos no WhatsApp que, além de intensificar a amizade, serviam para tirar as dúvidas que surgiam nos momentos de estudo.

"O diferencial que nós prezamos também é a proximidade dos alunos. Sou rígido, mas sou próximo aos meus alunos. Tenho todos eles em grupos no WhatsApp, onde eles falam as besteiras que eles quiserem, mas tiram dúvidas o tempo todo. Eu sou um deles, naquele momento. Acho que a proximidade é a chave", acrescenta.

Para Marco Antonio, o resultado dos alunos em medicina gera uma grande satisfação. "É uma satisfação grande. Nós apostamos as fichas durante um ano todo e sabemos que aquele aluno tem grandes chances de passar. E quanto mais eu vejo que o aluno tem chances, mais me dedico para que ele aprenda mais", diz.

Ano letivo de 2015
Devido aos resultados, o método de aulas integradas será intensificado, garante o diretor de ensino, Manoel de Jesus. De acordo com levantamentos preliminares da escola, além dos três em medicina, mais de 50 estudantes foram selecionados na 1ª chamada do Sistema De Seleção Unificada (Sisu), nos vários cursos da Ufac e de outras Universidades do país.

Diretor de ensino, Manoel de Jesus, e diretor, Evaristo de Luca, garantem que o método será intensificado em 2015 (Foto: Caio Fulgêncio/G1)
Diretor de ensino, Manoel de Jesus, e diretor,
Evaristo de Luca, garantem que o método será
intensificado em 2015 (Foto: Caio Fulgêncio/G1)

"Nós tínhamos as aulas integradas durante os sábados. Neste ano, nós decidimos intensificar. Ao invés de acontecer somente aos sábados, vai ocorrer duas vezes por semana. Nossa concepção é que a escola precisa mudar com o tempo. E temos que olhar para o Enem e formalizar um modelo de escola de acordo com o exame", garante.

O diretor e proprietário da instituição, Evaristo de Luca, diz que a aprovação dos estudantes acaba se tornando a garantia de que um bom trabalho está sendo feito. Ele garante que, em 37 de anos de existência no estado, o Colégio Meta sempre alcançou um bom número de aprovações em diversos cursos do país.

"Quando temos alunos acabando o terceiro ano do ensino médio e conseguindo aprovação em medicina, que é uma raridade no Brasil, significa que estamos no caminho correto. Lógico que o aluno fez a parte dele, mas o colégio também colaborou e o resultado aparece. Ficamos extremamente felizes e temos que continuar trilhando e melhorando cada vez mais", finaliza.



Fonte: G1

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